quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A praça: Os visitantes

No verão, período das férias, a praça lotava. Muitos visitantes, uns por parentesco ou amizade, outros se apinhavam numa espécie de alberque,aliás, único abrigo pra visitantes sem parentesco ou outros laços com os habitantes. Dna. Mariinha tinha a casa de cômodos muito simples que abrigava os mochileiros. Camas beliches, gaveteiros, banho quente e um saboroso café da manhã. As lendas que chegavam em seus longínquos viveres atraia os mochileiros, Outro atrativo da cidade era um riacho com água translúcida, peixes de diversas espécies, bem a vista, uma pequena cachoeira dentro de uma reserva florestal e mais adiante localizava-se a barragem, que represava toda a água da cidade. A população reconhecia a riqueza da beleza da paisagem, atentos acompanhavam de olhómetro a densidade pluviométrica ideal, parceirizando-se com a natureza protegendo os seus habitats de possíveis inundações, também havia um responsável, Sr. Mandinho, na função de fiscalizar tecnicamente o transcurso da natureza, muito querido e admirado, ele era o principal espalhador das lendas do local do seu trabalho, "as águas", em suas folgas exercia a arte, fazia parte do grupo dos repentistas , por isso mesmo trabalhava sempre cantando. Os visitantes encantavam-se com o fato das réplicas do imaginário popular ser tão próximo ao real. Assim as lendas eram cantadas, recitadas dançadas o conhecimento da cidade era exposto de maneira lúdica.
O Sr.Maneroule, representante administrativo da cidade, ficava sempre com a pulga atrás das orelhas. Enviava os seus confiáveis pra praça todas os dias, pra verificar se sua gestão estava em sintonia com o fluxo popular. As fofocas eram musicalizada na praça, algumas vezes era chamada de "espaço sensorial da cidade".
Apesar da música estar presente todos os dias na praça, os finais de semanas, "vipava" com grandes concertos, forrós e muita música sertaneja, mesmo assim os repentistas não perdiam seu podium pelo repertório aguçar a curiosidade dos locais e dos visitantes que passavam a conhecer as lendas prosas e fofocas da cidade. CARTÃO POSTAL da natureza com o humano inserido de fato e em foto.

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