quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A Praça: No miúdinho e no memorial - parte A

Estória digna de relato, algumas Comadres chegaram na praça numa clamorosa despedida, naquele instante elas estavam tristes, do nada ou do tudo, sei lá!Reverteram a situação! O que seria o fim, transformou-se em recomeço pra elas e começo pra outros. Muito abaladas o entrelaço social delas estava em jogo, tomaram atitude, não abaixaram a cabeça! Como diz o ditado popular, "quem tem boca vai a Roma", abriram a boca, demarcaram o espaço público pra continuarem o convívio, os curiosos foram se achegando, foi assim, que mulheres de "família", passaram a frequentar Praça, de forma numérica e ruidosa. Pronto! Elas quebraram o tabu.
Nos dias festivos era incrível,as comadres despontavam por todos os poros da praça,cada uma trazendo, nos braços, bandejas, sacolas,etc, com andar acelerado lá vinham elas pisando firme na direção do centro da praça;
Nesses dias esmeravam nas indumentárias, porém, o que + chamava atenção era o filme interno das mentes, rostos iluminados, expressavam a ânsia de felicidade.
Na arrumação da festa, os de fora não conseguiam perceber donde partia o comando, pois, todas tinham postura de comandantes, se assemelhavam a um formigueiro, ordeiras sabiam suas funções, as lideranças eram diversificadas, tipo - Grupo da vassoura, grupo ornamentação, outro dos utensílios,enfim, cheias de sub-grupos unidos no trabalho,nos mínimos detalhes decoravam, em pouco tempo tudo estava em seus devidos lugares, os cenários eram surpreendentemente criativos,com perspicacia e bom gosto aproveitavam a beleza natural da praça e abriam + luminosidade, tudo muito belo! Quando inventavam festas temáticas, que exigia troca de vestuário,alí mesmo elas providenciavam local, davam jeito em tudo.
Comadre Niva, era a responsável pela abertura da festa, devota fervorosa, fazia um sinal, todas entendiam, imediatamente o silêncio se instalava postavam-se em redor da mesa, daí, dava início a oração, cada uma com sua maneira própria de estar, umas oravam, olhando fascinadas pra beleza da mesa,outras fechavam os olhos contritas, outras ficavam com os olhos bem abertos,a impressão era que espreitavam os melhores quitutes da mesa, outras tomavam conta pra não haver nenhuma mão boba antes da hora, tudo na santa paz!
logo que encerrava a oração, era de praxe um "pit" da Comadre deslumbrada, ela soltava algumas lágrimas, com o tempo foi sendo esclarecido o porque, - dedicou sua vida ao trabalho caseiro,não se cuidava era uma pessoa triste, uma vez foi convidada pra festa, adorou! A partir daí, houve a transformação da comadre deslumbrada, reformou sua imagem interna e externa,retirou a tristeza do coração, deu um trato na aparência, ficou bonita! Mesmo com tudo em cima, seu canal lacrimal continuava a liberar abundantes lágrimas misturadas aos risos nervosos, mas, como cada uma tinha as suas manias vivenciais, aceitavam, coisas da vida!
- Comadre profissional de festas, falava em tom solene o esperado: - "pode começar",em seguida Mãos sôfregas esbarravam em outras mãos =s, buscando os cobiçados quitutes; No paralelo da desgustação, outras comadres exerciam papéis distintos:
- As "judiciosas", marcavam na pressão "as comadres dos pratinhos, copinhos, guardanapos etc...", outras faziam fofocas quietas,eram as ajudantes das judiciosas, apontavam as faltas das comadres dos pratinhos pra casa, outras as alegres e zem nem aí, comiam, dançavam, falavam, riam, achavam tudo ótimo, divertiam-se com todas, com as fabulosas, as gulosas, as judiciosas e as apontadoras das faltas, aliás, o pós festa rendia fofocas do tamanho do mês. As judiciosas,ao mesmo tempo que fartavam-se com os comestíveis, ficavam de olho nas comadres "pratinhos pra casa",e também compondo novas estratégias, tudo no cuidado e na arte da convivência pra não desmoronar o baluarte; O hilário é que tudo ficava = FESTAS do PASSADO = FESTA do PRESENTE, projetos pras FESTAS do FUTURO,todas acreditavam que também seria = mesmo assim as JUDICIOSAS tagarelavam muito mas continuavam =s, sem se aprofundarem na ESTRUTURA da FESTA. Enfim, algumas vezes as fofocas caiam nas gulosas outras eram as judiciosas que pagavam micos.
Até, que chegou comadre Juneane novata na cidade,vulgo "comadre virtual", vendo tudo muito bonito, elogiou a festa, em seguida, pegou pesado na fala,com racionalidade, insinuou que elas podiam +, dada as múltiplas competências: As comadres escutaram, e gostaram! Há partir daí, foi criado outro recomeço delas na praça, convidaram instituições que atendiam os + desfavorecidos, aumentou a dimensão do sentimento solidário, sem acharem-se "BOAZINHAS", o sentimento cresceu naturalmente, com muita alegria e diversão, formando Escola, ocasionando múltiplas adesões incluindo os seus, calcinhas, fio-dental,cuecas cuequinhas, fraldinhas até os cirolas participaram do giro fraterno;
A CAUSA, tempos depois partiu da Praça, num bom clima entre beijos abraços e muitos sorrisos, "em festa"!
AS CONSEQUÊNCIAS + um endereço receptor e irradiador da inesgotável fonte humana, seguiram a exuberância dos Ícones das ESTAÇÕES:
- Verão O sol abrindo, acalentando e esquentando as alegrias
- Outono Semeadura o afofofar da terra
- Inverno Coberta pros descobertos
- Primavera A resultante dos cuidados
Foi assim: O recomeço e os novos começos das Comadres na Praça.

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