sábado, 13 de agosto de 2011

A pureza da arte nasce em qualquer lugar-parte 3

Tempos depois,Marcelito,folheando uma revista de diversão,viu um teatro,teve a idéia de construir um também, idealizou o teatro:-local para a platéia, palco, cochia...Fez alguns desenhos,em sequida conseguiu elaborar o projeto da construção.Pronto a fase inicial,passou para segunda fase, começou a catar sucatas para montar o teatro:-plásticos,isopor,madeiras,palhas de folhas de bananeiras,papéis de diversas qualidades etc...Na terceira fase era a construção propriamente dita,escolheu previamente o espaço físico,pegou enxada, pá, balde, regador, assim, ele iniciou a construção,todos os dias, após suas obrigações, estava lá Marcelito, trabalhando na obra,utilizou a matéria prima da natureza, terra e água, com esses elementos naturais, confeccionou os bancos para a platéia, formou montinhos de terra, umedeceu os montinhos com água, em seguida emoldurou os acentos, recortou palhas de bananeiras para forrar os banquinhos da platéia, no palco, fez um tablado de tijolos unidos, cimentando-os com barro úmido,a forração, também era de palhas de bananeiras,fincou bambus no solo, quando conseguiu a fixação desejada dos bambus, passou um forro leve de plástico de caminhão que achara entre as diversas sucatas recolhidas, a cochia ele fez uma divisória de isopor entre o palco, pronto o trabalho pesado,começou a fase dos acabamentos,Marcelito contou com a ajuda de seu primo Malney, que passava alguns dias em sua casa, Malney, era morador de uma cidade próxima, fazia curso de programador visual, ajudou Marcelito nos acabamentos,ensinando-o também algumas técnicas de efeito especial, mostrou algumas revistas com sugestões bem alternativas, o que foi bem útil para Marcelito, seu imaginário viajou com elas.
A revista que prendeu a atenção por muito tempo de Marcelito,foi a revista dos estudantes do curso de Malney, era uma revista bem artesanal, eles ensinavam técnicas de grafitagens,os desenhos retratavam a vida das pessoas num cotidiano simples,porém cheia de sátiras, Marcelito,ficou fascinado com as técnicas que continha na revista, era justamente o que ele estava elaborando sozinho e a revista deu-lhe algumas dicas muito interessantes.
Por conta do que acabará de ler na revista,Marcelito esplanou para Malney,suas pretensões na parte de ilustração do teatro:
- Mostrar a vida da cidade, os costumes locais dos habitantes,os hábitos de uma forma geral,algumas particularidades que sobressaia aos seus olhos, como:
- As manias de alguns moradores,que ao ver de Marcelito era o encanto vivo da cidade.
- Malney: Como assim Marcelito! Não estou entendendo o que vc realmente deseja!
- Marcelito: Vou ser + claro, fez um curta humano da sua cidade,rascunhou desenhos,para ajudar a narração, interpretou os personagens, cantou, dançou, cada personagem ele tinha uma expressão artística.
- Malney, por sua vez chorava de rir da forma hilária de Marcelito.
-Malney: E dá-lhe Marcelito,é primo,vc é um ator mesmo! Ator sociólogo da cidade! háháhá.
- Marcelito- Nhá! nem tanto,háháhá...
O local que estavam, era de barro batido, normalmente as pessoas passavam alí pra cortar caminho, ao longe vinha uma figura masculina, caminhando na direção deles;
Marcelito- olha,ri e fala:- Malney, quem vem aí! a pessoa que acabei de interpretar!O Senhor bumba meu boi!
Malney- Ih cara,incrível! Perfeito! Imaginei o Senhor Bumba meu boi assim mesmo, fantástica sua interpretação!Só falta a vaquinha, e ele na função de ordenhar e cantar, para completar a sua interpretação,háháhá...
Malney,ao mesmo tempo que fitava aquele homem que se aproximava, ria muito.
Senhor Bumba,Sem perceber que estava sendo observado,caminhava sem pressa, olhando para o nada,segurando uma vareta e balançando-a, com a cabeça protegida por seu chapéu,de cor escura,meio que desbotado,era bem alto,o peso corporal era proporcional a sua altura,trajava camisa quadriculada,as mangas arregaçadas na altura dos cotovelos,calça escura surrada,tonalidade semelhante ao chapéu,na bainha da calça dava para perceber que estava com barro seco, e algumas coisas verdes que na distância que ele estava não conseguia identificar bem, porém, Marcelito, falou para o primo, ele sempre está com as calças cheias de carrapichos deixa ele se aproximar para vc ver.Malney, riu e comentou, pô, Marcelito vc é um raio X, não deixa passar nada,háháhá...
- Marcelito- É! o meu laboratório são as pessoas, cara!Tenho que reparar, faz parte, háháhá...
- Malney fitava Sr.Bumba,dava pra perceber a mistura racial, pele morena, os olhos meio que claros sem definição,o cabelo na parte que o chapéu deixava a mostra era preto e liso, o olhar era arguto, narigudo,no canto da boca, carregava uma cigarrinho de palha,seu bigode era vasto, cobria parcialmente os lábios.
suas botas eram escuras sujas de lama seca, chamava a atenção as estrelas nas laterais dando uma lembrança dos xerifes do passado;
- Malney- Que mistura genética! Hem?
- Marcelito- A avó dele era índia, foi pega a laço pelos "brancos", assim conta ele.
- Malney- Ah tá. Ele tem um aspecto físico diferente meio que misturado pele vermelha e branca.
-Marcelito-É,os irmãos dele, uns são bem para índios, outros são parecidos com ele

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