sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

APRENDENDO COM AS NUVENS.

Uma professora muito engraçada. Sempre achava que faltava alguma situação nova para as aulas.
Ela estava para começar numa nova escola. A possibilidade seria dar aula para crianças de cinco anos, porém não possuia experiência com essa idade.
Professora Lia, este era o seu nome, estava querendo a muito tempo uma oportunidade naquela escola. Quando foi chamada para dar aula, ficou aflita. Procurou amigos para ajudá-la a planejar aulas pois mesmo preparada estava insegura, até que chegou o dia de começar.
Primeiro dia, Lia gostou da turma, percebeu que as crianças eram muito ativas e entendeu que seria necessário multiplicar-se para ensina-las.
O planejamento que Lia fizera com a ajuda dos amigos estava aquém das crianças. Na mesma hora, ela começou a aplicar brincadeiras com o material didático que dispunha na sala de aula. As crianças participavam das brincadeiras com muita empolgação, o que animou Lia.
Houve uma mudança no tempo. Era um dia de sol, o céu estava coberto por nuvens brancas e havia poucos pontos azuis no cenário. A predominância da cor era o branco das nuvens. Repentinamente, o sol desapareceu, a tonalidade do céu azul foi sumindo, tornando-se a princípio cinza claro, a impressão era que o céu acompanhava as nuvens, muito velozes, nas transformações. Logo desabou a chuva com pedras de granizos, um dilúvio! O barulho no teto era muito alto, as crianças ficaram agitadas e admiradas com a força da água, quando perceberam as pedras de gelo caindo. Foi uma festa para eles. Lia conseguiu pegar pedras de gelo para cada criança. Explicou o fenômeno da chuva das pedras de gelo:
- As gotas da chuva se congelam, quando atravessam uma camada de ar frio.
Falou que a chuva de pedra de gelo era chamada também de chuva de granizo. As crianças escutavam com muita atenção a estória da chuva das pedrinhas de gelo.
Lia, vendo o interesse das crianças, pediu que todos pegassem seus lápis de cores, massinhas, papéis, etc... levou-os para o varandão que fazia extensão com a sala de aula.
Quando todos chegaram, Lia explicou que eles brincariam de desenhar e pintar a natureza da forma que entendessem. As crianças pegaram seus materiais olhando para o céu, falavam do cenário celeste,uns desenhavam outros pintavam, outros ficavam calados olhando, outros perguntavam, outros riam, enfim cada um tinha uma maneira própria. Lia, neste momento, aprendeu que cada uma das crianças tinha uma maneira de ver, e ser, que para ela ensina-los teria que entende-los, sentiu que o ofício de ensinar era difícil, mas que as crianças a ajudariam ir em frente nas situações novas, o aprendizado seria mútuo entre ela e as crianças. Sentiu também que seria um exercício diário entrar no mundo da criança, onde não existe espaço para "idéias pré-concebidas". Lia conduziria seus conteúdos de aula com o encantamento da natureza, aprendendo sempre com os maestros infantis, e sempre que necessário modificando os métodos para que todos aprendessem no seu próprio tempo.
Nesta descoberta do acaso, Lia criou o momento das crianças com a natureza viva, o novo material didático de aula cuja a integração foi perfeita. As crianças acompanhavam o cenário muito concentradas. Lia pode observar que da mesma forma que elas correm, saltam, gritam, pulam, choram, riem,etc...expondo suas emoções, naquele momento elas estavam exercitando suas mentes na velocidade dos acontecimentos da natureza e a natureza não deixava por menos, fazia malabarismos. As crianças mudavam de lugar para acompanhar as cenas.
Lia pensou em um nome para esta parte da aula, "hora dos artistas". Pegou seu celular, começou a fotografar e filmar os acontecimentos.
Dá mesma forma que a tempestade chegou ela foi embora. O sol se pronunciou forte com muitos raios solares iluminando novamente aquela manhã do primeiro dia de aula. As nuvens brancas chegaram ornamentando o céu elas construiam desenhos diversos, as crianças estavam exultantes com os desenhos em movimento das nuvens.
Próximo ao varandão, tinha uma árvore com muitos pássaros, no momento da tempestade se abrigaram nela, quando o sol chegou eles sairam voando, batendo asas, alguns emitiam um canto que uma criança identificou o canto dizendo:
- Eu conheço! São as maritacas!
As crianças e a professora Lia fizeram uma salva de palmas quando despontou um lindo arco-íris, os pássaros voavam em torno das cores, um cenário belíssimo.
Os alunos da professora Lia começaram a alfabetização amando a natureza.

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